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A Arnioceras é uma das amonitas mais características do Jurássico Inferior, tendo vivido há aproximadamente 195 milhões de anos, durante o Sinemuriano. Este exemplar é proveniente de Lyme Regis, em Dorset, Inglaterra, uma das localidades fossilíferas mais famosas do mundo e parte da célebre Costa Jurássica, reconhecida como Patrimônio Mundial da UNESCO.

As amonitas pertenciam ao grupo dos cefalópodes, sendo parentes distantes das atuais lulas, polvos e náutilos. Sua concha espiralada era dividida em câmaras preenchidas por gás, permitindo controlar a flutuabilidade enquanto nadavam pelos mares jurássicos em busca de pequenos peixes, crustáceos e outros invertebrados.

O gênero Arnioceras destaca-se por sua concha amplamente evoluta, com costelas fortes e bem definidas que percorrem toda a espiral. Essas características fazem dessa amonita uma importante espécie-guia para o estudo das rochas do Sinemuriano, auxiliando paleontólogos na datação e correlação de depósitos jurássicos em diferentes partes da Europa.

Os depósitos de Lyme Regis preservaram milhares de organismos marinhos graças ao rápido soterramento em sedimentos argilosos. A constante erosão das falésias continua revelando novos fósseis até os dias atuais, mantendo viva uma tradição iniciada pela pioneira da paleontologia Mary Anning, cujas descobertas revolucionaram o conhecimento sobre a vida marinha do Jurássico.

Muito mais do que uma bela concha fossilizada, a Arnioceras representa um fragmento de um oceano que existiu há quase 200 milhões de anos, preservando em sua espiral a história de um antigo cefalópode que navegou pelos mares da Inglaterra durante a época dos grandes répteis marinhos.