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Este fragmento de marfim de Stegodon pertence a um dos mais impressionantes proboscídeos que habitaram o sudeste asiático durante o Pleistoceno. Proveniente da Indonésia, este exemplar possui cerca de 200 mil anos e representa um vestígio de um animal que viveu ao lado de outras espécies extintas e dos primeiros grupos humanos que ocuparam a região.

Stegodon foi um parente próximo dos elefantes modernos, distinguindo-se por suas presas extremamente longas e quase retas, que podiam atingir vários metros de comprimento. Esses animais alcançavam grandes dimensões e alimentavam-se principalmente de folhas, galhos e vegetação arbustiva, ocupando florestas tropicais e ambientes abertos distribuídos por grande parte da Ásia.

O marfim é formado por dentina, um tecido mineralizado que constitui o interior das presas. Após a morte do animal, processos naturais de soterramento e mineralização preservaram parte dessa estrutura, permitindo que fragmentos como este chegassem até os dias atuais. Apesar de manter sua aparência característica, o marfim fossilizado apresenta composição e propriedades diferentes das encontradas em presas recentes, resultado de milhares de anos de transformações geológicas.

Os fósseis de Stegodon encontrados na Indonésia possuem grande importância científica, pois ajudam a reconstruir os antigos ecossistemas das ilhas do sudeste asiático e sua relação com a evolução humana. Algumas espécies desse gênero conviveram com Homo erectus e, em ilhas como Flores, com o enigmático Homo floresiensis, tornando-se peças fundamentais para o entendimento da fauna pleistocênica da região.

Muito mais do que um fragmento de presa, esta peça representa a memória de um gigante pré-histórico que percorreu as paisagens da Indonésia há cerca de 200 mil anos, preservando um capítulo fascinante da história evolutiva dos elefantes e de seus antigos parentes.