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Óxido do Meteorito Bendegó — Bahia, Brasil

Este fragmento de óxido do Meteorito Bendegó representa uma rara porção da camada superficial formada ao longo de milhares de anos de intemperismo. Após permanecer exposto no sertão baiano por um período estimado em milhares de anos, a superfície metálica do meteorito reagiu lentamente com a umidade e o oxigênio do ambiente, originando uma crosta rica em óxidos de ferro. Esses fragmentos preservam parte da história de permanência do Bendegó na Terra, antes mesmo de sua descoberta científica.

Meteorito Bendegó é o maior meteorito já encontrado no Brasil, com cerca de 5,36 toneladas. Descoberto em 1784, no interior da Bahia, tornou-se um dos mais importantes patrimônios científicos brasileiros. Em 1887, após uma complexa operação logística que mobilizou engenheiros, trilhos e carros especialmente construídos, o meteorito foi transportado até o Rio de Janeiro, onde passou a integrar a coleção do Museu Nacional.

Sua chegada foi acompanhada de perto pelo imperador Dom Pedro II, grande incentivador das ciências naturais no Brasil. Apaixonado por astronomia, geologia e história natural, Dom Pedro II apoiou pessoalmente os esforços para preservar o Bendegó como um patrimônio científico nacional, reconhecendo seu enorme valor para a pesquisa e para o conhecimento da origem do Sistema Solar.

O Bendegó também entrou para a história por resistir ao incêndio que atingiu o Museu Nacional em 2018. Enquanto grande parte do acervo foi destruída pelas chamas, o meteorito permaneceu praticamente intacto, tornando-se um poderoso símbolo da resistência da ciência e da preservação do patrimônio natural brasileiro.