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Meteorito Murchison — Austrália

Meteorito Murchison é um dos meteoritos mais importantes já estudados pela ciência. Classificado como um condrito carbonáceo do grupo CM2, ele caiu em 28 de setembro de 1969, próximo à cidade de Murchison, no estado de Victoria, Austrália. A queda foi testemunhada por centenas de pessoas, permitindo a rápida recuperação de mais de 100 kg de material praticamente livre de contaminação terrestre.

Formado há cerca de 4,56 bilhões de anos, o Murchison preserva alguns dos materiais mais primitivos do Sistema Solar. Diferentemente de muitos meteoritos que sofreram intenso aquecimento, ele manteve uma composição rica em água ligada a minerais e compostos orgânicos complexos, tornando-se uma verdadeira cápsula do tempo da nebulosa solar.

O grande destaque desse meteorito é a presença de uma extraordinária diversidade de moléculas orgânicas, incluindo mais de 70 aminoácidos diferentes, muitos deles inexistentes nos seres vivos da Terra. Além disso, contém nucleobases, hidrocarbonetos e inúmeros outros compostos ricos em carbono, reforçando a hipótese de que meteoritos carbonáceos possam ter contribuído para o fornecimento dos ingredientes químicos necessários ao surgimento da vida em nosso planeta.

Em seu interior também são encontrados grãos pré-solares, minerais microscópicos formados antes mesmo do nascimento do Sistema Solar. Esses minúsculos cristais são remanescentes de antigas estrelas que existiram antes do Sol, tornando o Murchison um dos poucos materiais acessíveis que preservam matéria anterior à formação do nosso sistema planetário.